As atrizes Débora Aoni e Carolina Mesquita, em tarde de figurinos no setor cenotécnico da EAD, na USP, com a designer Ray Lopes, que confeccionou as roupas de "DO CLAUSTRO". As íntérpretes de Mariana e Cecília, respectivamente, foram fundamentais para a concretização do material. Abaixo, seguem momentos de absoluta descontração e concentração, algumas conversas e outras nem tanto. Esses vídeos foram liberados pela produção do espetáculo. Crianças, não tentem fazer isso em casa.
segunda-feira, 7 de janeiro de 2008
terça-feira, 4 de dezembro de 2007
Falando de figurinos e pesquisas.

"DO CLAUSTRO", o figurino
Em meio às pesquisas que fiz, a grande preocupação era dar o aspecto de três séculos atrás ao figurino para "DO CLAUSTRO". Uma das providências que tomei foi fotografar, na surdina, a sala dos santos no Museu do Convento de São Francisco, em Salvador, quando lá estive, no final de maio de 2007. As cores dos hábitos das santas clarissas iam de encontro àquilo que dizia a Regra do Papa Urbano IV (a Regra que direcionou durante mais de seiscentos anos a Ordem de Santa Clara, até 1893, quando "descobriram" a Regra escrita pela própria Santa Clara).
Na Regra, um documento papal da segunda metade do século XIII, era dito que o conjunto das cores dos hábitos das clarissas (as religiosas dessa ordem já tinham essa denominação) não poderia ser nem totalmente branco, nem totalmente preto. Portanto, em sua maioria, pelo que pude observar, o véu era preto, a pala branca e o corpo do hábito, este sim era cinza. Para a peça, foi decidido que no figurino da irmã Cecília (Carolina Mesquita) utilizaremos uma cor que mescla o bege com o marrom para o hábito, por motivos de iluminação teatral. O véu continua preto e a pala branca.
O tecido também era da pior espécie. Um algodão batido, cru, pois a maneira de viver das clarissas, pela chamada "via da pobreza" impedia que elas tivessem qualquer pretensão a vaidade, o que já não era possível. Tanto é que as atrizes se vestem necessariamente sem olhar para nenhum espelho, tal como era feito nessas ordens antigas. Para os tecidos do figurino de Cecília foram utilizados cotton branco (pala) e preto (véu) e algodão cru (para o hábito). Além dessas cores, há ainda a presença de um cordel de algodão branco, à altura da cintura da freira, um cordel que segura um pequeno crucifixo de madeira rústica. Das duas personagens, Cecília é a única a usar uma sandália surrada. É a chamada "irmã externa", que exerce funções fora dos muros do Convento, com permissão, portanto, para trafegar a pé pelas ladeiras da Cidade da Bahia.
Para o design do figurino de Cecília, ainda foram feitas pesquisas (e desenhos) a partir de filmes como "Nun's Story", com Audrey Hepburn, dirigido por Fred Zinnemann, e dois filmes com a atriz Deborah Kerr, "Heaven Knows, Mr. Allison" (direção de John Huston) e "Black Narcisus". Os movimentos eram captados para o papel quando os filmes, assistidos em DVD, eram pausados. Para o caso de Mariana, outra pesquisa feita foi em "Irmão Sol, Irmã Lua", de Franco Zeffirelli. A camisola de São Francisco de Assis serviu de inspiração para o figurino da personagem.
Para irmã Mariana (Débora Aoni), pensei naqueles camisolões, ao estilo do usado pela Rainha Vitória I na noite em que ela foi acordada para receber a notícia de que era a soberana inglesa, aos 18 anos. Aquele tipo de camisolão juvenil que deixa aparecer apenas os dedos das mãos e dos pés. Mariana guarda essa juventude, mas também guarda o desespero do animal acuado. A camisola de Mariana, que é branca, foi confeccionada em cambraia. Como a personagem está sofrendo de depressão, à moda dos escravos nas senzalas, a roupa será castigada por manchas, sujeira, amassados. Mariana está sempre descalça. E só veste a camisola sobre seu corpo.
A brilhante execução das roupas ficou a cargo da figurinista Ray Lopes, do apoio cenotécnico da Cênicas, na USP. Ray produziu duas mudas de roupa para cada atriz, sendo que o véu (de exatos 3 metros de cotton preto) e a pala de Cecília, por sua vez, foram feitos cada um em uma única muda . As duas atrizes foram imprescindíveis nas decisões sobre o que precisavam para suas personagens, em relação a seus figurinos, nos detalhes daquilo que irão vestir, a questão dos bolsos, das passagens de mãos (no figurino de Cecília), da mudança da camisola de Mariana para um modelo com design tipo "A", de forma que a atriz fique bem folgada dentro dela. Como disse a própria Débora, dia desses, que ela se sente um bichinho dentro desta camisola. Além disso, outras preciosas dicas sobre cores vieram da preparadora de elenco, Fernanda Levy, que foi quem sugeriu a Carolina que ficasse dias inteiros vestida de hábito, para que se acostumasse com os movimentos do figurino, fazendo de tudo em casa. O diretor, Eduardo Sofiati, ficou bem satisfeito com o resultado obtido em cena.
Não podemos esquecer o fato de que esta ordem, das clarissas urbanitas (que seguiam a Regra do Papa Urbano IV), durou seiscentos anos mas se encontra extinta. As últimas três religiosas desta Ordem faleceram no início do século XX. Portanto, nós utilizamos mesmo de uma deliberada licença poética nos figurinos de "DO CLAUSTRO", pois não se
trata necessariamente de um trabalho de reconstituição histórica. É teatro.
Ruy Jobim Neto
sábado, 8 de setembro de 2007
segunda-feira, 3 de setembro de 2007
Só rememorando...
As duas clarissas em cena serão Débora Aoni (à esquerda) e Carolina Mesquita (à direita), elas que são e representam o aval mais querido de todo esse projeto. Um projeto a muitas cabeças.
Temos pensado, repensado, discutido, batido a cabeça em torno de todas as questões relativas à produção, à equipe, ao texto em si, a tudo. Claro que não se pode jamais esquecer o maestro Gerson Grünblatt, compositor romeno-carioca, que fez toda a trilha para "Do Claustro", e cujos 34 segundos de música de uma das faixas compostas originalmente para o espetáculo evocaram as personagens durante a escrita, que foi à mão. Com o maestro e as meninas, tive uma deliciosa tarde regada a muitas risadas e cortes avassaladores no texto.
O processo tem sido esse, entre idas e vindas,e houve vários almoços em que as idéias primeiras surgiam, os DVDs, os livros, a viagem.
***
Repito aqui o que eu disse a elas naquele que foi o início dos trabalhos, há umas duas semanas atrás, mas cujos rumos já foram alterados. Faremos diferente, agora, e com toda a paz para seguirmos em direção à montagem. E à estréia. O texto é o seguinte:
Débora Aoni
Carolina Mesquita
"DO CLAUSTRO"
de Ruy Jobim Neto
(estréia prevista para 15 de janeiro de 2008, no Espaço dos Satyros 1)
Um Evoé para duas clarissas no primeiro dia de ensaio.
"CLARISSAS"
seja como for, do jeito que for,
do melhor jeito que puder ser.
nossa peça vai começar a acordar.
a sair do papela ganhar vida
música
falas
risos
choros
dramas
ânsias
cenários
figurinos
Déboras
Carolinas
um mundo inteiro.
merda pra todos nós.
que Dioniso nos abençoe
e vamos que vamos
lindas clarissas, acordem!
lindas clarissas,
amem,
odeiem,
vibrem,
gritem,
desenclausurem-se!
andem,
corram,
rezem,
falem baixinho,
acreditem,
encantem!!!!!!!!!
amores, lindas atrizes,
Débora e Carolina,
grandes encantos e encantadoras!
agora é com vocês,
é com o texto,
é com "DO CLAUSTRO"!!!!!!!!!!!
em direção a janeiro!
rota em linha reta!!!!!!!!!!!!
contagem regressiva!
a cinco meses da estréia praticamente exatos!
beijos cênicos sempre pra vocês,
clarissas lindas
o mais querido aval para todo esse nosso projeto!
Ruy
Amém
(* o Amém quem emendou foi o maestro!)
(* o Amém quem emendou foi o maestro!)
Há todo um histórico...um making of...as origens...
Falar da peça neste blog só mesmo perto da estréia. Já temos a data prévia = 15 de janeiro de 2008. O local = Espaço dos Satyros 1. às terças e quintas, no horário das 22h30. Por enquanto é o que temos. Mas estamos indo bem.

Falar da peça neste blog, como eu disse, só mesmo perto da estréia. Há algum tempo, antes de escrever o texto, eu fiz um relatório desses últimos meses, desde a origem da idéia da peça, e como tudo se desenrolou. De como fui a Salvador e conheci nossa consultora histórica, a criteriosíssima e muito divertida Laís Viena de Souza (na foto acima), que brecou a escrita de um capítulo de sua dissertação para ler "Do Claustro" no meio da madrugada, antes mesmo das duas atrizes na primeira leitura delas - Laís, entre muitas outras pessoas preciosas. Muitas dicas, muitos toques, muitas informações novas e interessantes foram somadas ao texto e tiradas dele, material ligado às pesquisas, enfim, tudo o que ajudou a dar vida a esse projeto. Obrigado a todos, obrigado, Laís, por tudo!
Falarei mais adiante das leituras, das fotos de Salvador (que todas se perderam, inclusive, numa deletação louca) e das fotos do Convento do Desterro da Bahia, essas sim sobraram. Ufa.
***

Falar da peça neste blog, como eu disse, só mesmo perto da estréia. Há algum tempo, antes de escrever o texto, eu fiz um relatório desses últimos meses, desde a origem da idéia da peça, e como tudo se desenrolou. De como fui a Salvador e conheci nossa consultora histórica, a criteriosíssima e muito divertida Laís Viena de Souza (na foto acima), que brecou a escrita de um capítulo de sua dissertação para ler "Do Claustro" no meio da madrugada, antes mesmo das duas atrizes na primeira leitura delas - Laís, entre muitas outras pessoas preciosas. Muitas dicas, muitos toques, muitas informações novas e interessantes foram somadas ao texto e tiradas dele, material ligado às pesquisas, enfim, tudo o que ajudou a dar vida a esse projeto. Obrigado a todos, obrigado, Laís, por tudo!
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Falarei mais adiante das leituras, das fotos de Salvador (que todas se perderam, inclusive, numa deletação louca) e das fotos do Convento do Desterro da Bahia, essas sim sobraram. Ufa.
Dia 18 de setembro.
Os trabalhos irão começar. Não falaremos muito, apenas atiçar a curiosidade alheia em torno de nossa peça. Estamos vendo coisas importantes, ainda. Uma das que encontramos foi Fernanda Levy, diretora e dramaturga de "Isadora Duncan", e que agora está dirigindo "O Abajur Lilás". Fernanda me disse pra eu ler o texto do Plínio. Farei, Fernanda, pode deixar.
***
Fernanda Levy (foto: Eduardo Sofiati)
Fernanda, que também é atriz e já fez curtas, material publicitário e outras peças teatrais, é a preparadora de elenco dessa nossa peça difícil que é "Do Claustro". Dia 18 de setembro, a partir dele, todas as terças-feiras por durante dois meses e meio, as clarissas Débora Aoni e Carolina Mesquita estarão fazendo exercícios voltados para a produção. Que bom, Fernanda! Seja muito bem-vinda e obrigado!!!!
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